segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Assim é a Vida


Nossa capacidade de ter sucesso em determinados projetos está diretamente relacionada a nossa capacidade de nos adaptarmos aos desafios que a vida nos impõe a cada momento.
Hoje me sinto dividido. Estou com o coracão apertado por um lado e feliz ao mesmo tempo.
Existem momentos em nossas vidas que oportunidades aparecem e não devemos deixá-las passar. E esse é um desses momentos. Surgiu as vésperas de minha partida para a segunda etapa de meu projeto. Desta maneira, estou aqui para informar aos amigos e simpatizantes que a data da partida para essa etapa foi postergada.
Uma previsão realista, me faz crer que a mesma só será iniciada em 2013, provavelmente em março ou abril.
Mais uma vez agradeço o apoio de todos e espero retornar a esse blog o quanto antes para a continuação de nossa aventura
Abraços

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Segunda Etapa : Partida Definida

Olá pessoal! Após mais um período de preparação, descanso e atividades  profissionais intensas, partiremos com destino a Miami no dia 17 de agosto.
Será uma escala rápida com o objetivo de comprar alguns equipamentos adicionais para melhorar a documentação em video desta etapa, já que uma das dificuldades desta aventura em solitário tem sido o registro fotográfico.
A seguir  voarei para Washington, onde deixei minha moto, na casa da amiga Claudete para iniciar propriamente a viagem no dia 25.
Destino: Prudhoe Bay Alaska
Minha filha Júlia também está preparada em sua base em Florianópolis para manter este blog atualizado diariamente, passando minhas coordenadas, fotos e videos, para que todos os amantes de aventuras, curiosos e motociclistas possam acompanhar.
Antecipadamente agradeço a todos que manifestaram apoio!
Meu próximo post já será da estrada.
Abraços!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Preparação para a segunda etapa: Alaska

A preparação física e técnica para essa segunda etapa já começou. Reforço muscular, treinamento para novas filmagens, agora todas serão realizadas com a Go Pro e não mais com o Iphone, estudo dos locais a serem visitados, bem como o roteiro aproximado a ser seguido (podem haver variações).
A data estimada da partida será na primeira semana de setembro e o tempo estimado desta etapa será de 45 dias.
Segue abaixo o roteiro base:

terça-feira, 29 de maio de 2012

Finalizando a primeira etapa

Com a chegada em Washington, depois de um dia inteiro de tráfego intenso e um calor de 40 graus celcius, fechamos com sucesso a primeira parte de nosso Giro Pelas Américas.
Experiência única, momentos vividos intensamente, desafios enormes superados e a certeza de ter realizado um feito enriquecedor para meu crescimento pessoal.
Devido às alterações do roteiro inicial, daremos um break para reorganizarmos essa segunda etapa, realizarmos as manutenções necessárias na moto, descansarmos da fadigante vida de nômade e por fim complementarmos o trabalho de condicionamento físico.
Fico feliz por todos que viajaram comigo através do blog, Facebook e emails.
Espero que para cada um, alguma lição em suas vidas tenha sido dada.
Beijo grande a todos.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Um mundo de contrastes

Chegar em NYC, pilotando é um sonho. Principalmente vindo do remoto território canadense de Labrador e mais ainda da vila de Nain, lar dos Inuit.
É impossível não fazer comparações a todo instante. Um mundo inteiro de contrastes.
A capital do mundo, com toda sua mistura de gêneros, cores e sons nos bombardeia com informações, seja através de outdoors, ou de seus displays rotativos na Times Square.
A vida que passava tão tranquila e lentamente em Nain, aqui parece passar a 1.000 por hora. Não é a toa que os moradores das grandes cidades sofrem dessa nova doença da modernidade: o stress. Coisa que os moradores de Labrador nem sabem o que é.
Um mundo de contrastes é o retrato de nosso planeta. Limosines e pedintes um ao lado do outro.
Uma Babel do consumismo, da qual todos fazemos parte!
Seguem fotos e vídeo.














quinta-feira, 24 de maio de 2012

Rumo à Washington DC

Após a linda passagem por Cabot Trail, rumei no sentido norte em direção à Prince Edward Island.
Sua ligação com o continente é feita pela Confederation Bridge, uma das maiores pontes do mundo com 12,9 km, exatamente do tamanho da ponte Rio-Niterói.
Infelizmente o dia amanheceu chuvoso, com vento forte e a aproximadamente uns 10km da entrada um carro da policia me parou para me sugerir que eu não seguisse naquele momento para Prince Edward Island, porque a travessia naquelas condições não era segura.
Agradeci a sugestão, dei meia volta e segui viagem em direção aos EUA.
Na verdade antecipei minha ida em 1 dia, visto que já tinha programado esse roteiro previamente. Sendo assim Prince Edward Island, ficará para uma próxima oportunidade.
Cheguei em Frederiction no território de New Bruswick no final do dia, após tanta chuva cansado e faminto.


Com Ryan e sua bike. Um encontro com outro aventureiro solitário

Energia eólica

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Cabot Trail

O dia amanheceu lindo. Perfeito para sair de moto e conhecer a famosa e tão falada Cabot Trail. O nome foi dado em homenagem ao explorador John Cabot que chegou nessa região em 1497.
A rota tem no total 285km e contorna todo o extremo norte da Nova Scotia, conhecido pela região de Cape Breton. Tem fama de ser a mais bonita rota de passeio do mundo.
Nunca gostei de ir a um lugar com muita expectativa, porque em geral me decepciono.
Bom, não foi o que aconteceu aqui. Fiquei realmente encantado.
Local lindo, natureza exuberante, cheio de parques, pequenos cafés, casas de artesanato, enfim fez jus aos comentários.
O dia terminou em um pequeno restaurante à beira mar comendo o prato do dia ( foto abaixo )
Abracao a todos!




















segunda-feira, 21 de maio de 2012

Nova Scotia

Após 8 horas de travessia, o ferry aportou em Sydney na Nova Scotia.
Uma das 10 províncias canadenses, a Nova Scotia possui as maiores variações de maré do mundo (chegando a 10m em certos pontos) e sua economia gira em torno do turismo e da pesca.
A viagem transcorreu tranqüila em um dia de sol, céu azul e mar calmo. A temperatura também subiu para agradáveis 20 graus.
Deixamos para trás mais um território canadense. Newfoundland não é tão isolado quanto Labrador mas é também bastante acanhado no que se refere à infraestrutura. Longos trechos isolados, intercalados com pequenas vilas de pescadores como pudemos mostrar em vídeos anteriores.
Já na Nova Scotia podemos perceber de imediato uma situação completamente diferente: muitos hotéis, redes de fast food, postos de combustível , enfim todas as comodidades as quais estamos acostumados.
Seguem algumas fotos e um vídeo.










domingo, 20 de maio de 2012

Newfoundland

Cheguei exausto em Blanc Sablon e já na manhã seguinte estava no Porto à espera do ferry para cruzar até  Newfoundland.
A travessia foi terrível, ventos fortes fizeram o barco chegar ao seu limite e os passageiros também.
Como não havia hospedagem do lado de cá, resolvi seguir sentido sul em direção à Corner Brook.
Foram aproximadamente 100 km até não suportar mais e começar a colocar em risco minha integridade. Saudade do rípio, porque lá eu controlava a situação. Aqui o vento cruzado com rajadas muito fortes quase me derrubaram várias vezes.
Entrei na primeira próxima vila de pescadores e ali encontrei refúgio.
Nossa que sufoco!
Fiz um vídeo curto pra vcs terem idéia da força do vento.
Minha intenção de conhecer o sítio arqueológico viking  L'anse Aux Meadows, no extremo norte do território teve que ser descartada em virtude disto. Sendo assim segui direto para Port Aux Basques, com uma escala em Corner Brook, passando pelo Parque Nacional Gros Morne.
Seguem fotos da região.












sábado, 19 de maio de 2012

Trans Labrador Highway: 1.289 km de Rípio

Bom pessoal, como vocês estão vendo no mapa ao lado, a etapa de Happy Valley Goose Bay até Blanc Sablon encerra a travessia da Trans Labrador Highway.
Além de todo o trecho ser de rípio, ainda peguei chuva, frio e neblina forte. Mas - com o fim  dessa etapa - percorremos sem maiores problemas toda a  famosa e porque não dizer mítica TLH, desafio maior de todo motociclista que tem na veia o gosto por aventura.
Posso confessar que não foi fácil. Foram no total 1.689 km. Trechos mais fáceis e trechos bastante difíceis.
Mas o importante é que além da conquista, podemos ao longo do percurso, conhecer  muitas pessoas, o seu modo de vida e o meio em que vivem. Além da natureza exuberante e até exótica pra nós que moramos num local de clima sub tropical.
Seguem abaixo algumas fotos e vídeos desse ultimo trecho da TLH, que sem dúvida deixará saudades.


"How can you drive in a ground like this?" Me pergunta o motorista da patrola








quarta-feira, 16 de maio de 2012

Nain - Um mundo a parte

Pra chegar em Nain só de barco ou avião!

Pessoal, acabei de retornar de Nain. Voltei para o mesmo hotel, aqui em Happy Valley Goose Bay.
Passei apenas 24 horas em Nain, mas foram muito intensas. Conheci não apenas pessoas, mas também um estilo de vida.
Fiquei verdadeiramente encantado. O respeito, a educação, a consideração, a disponibilidade, são apenas alguns dos atributos do povo Inuit. Com dialeto próprio, amam o seu lugar e nenhuma novidade tecnológica os faz ficar deslumbrados .
Povo que não só preserva os costumes, como também os adora.
Adeptos da caça e da vida em comunidade, dividem tudo. Fui testemunha disso em diversas ocasiões.
Mesmo existindo uma pequena diferença social, ela não faz com que o varredor da rua não seja cumprimentado por todos.
Foi para mim mais uma dessas lições que ganhamos da vida para não nos deixarmos levar pelo nosso mundo consumista, alienado ao poder e ao status como fim em si mesmo.



Com Henry o pai da Moly

Com a Sara, que me mostrou sua comunidade e seus costumes

Com a Naktuck inuk









Surpresa entre Labrador City e Happy Valley Goose Bay

Enquanto ainda planejava minha viagem no Brasil, li vários relatos de travessias de moto pela Trans-Labrador Highway.
Todos os relatos de motociclistas estrangeiros, nenhum brasileiro. Alemães, americanos, canadenses, noruegueses, entre outros e em épocas distintas. Mas o ultimo e mais recente foi de um dinamarquês que afirmou que a rodovia tinha sido completada e estava toda pavimentada.
Não vou aqui criar caso, mas o cidadão faltou com a verdade ou pior não cruzou a TLH. Eu cruzei e posso afirmar - inclusive com vídeos - que apenas 150 km de um total de 540 km estão pavimentados, neste trecho.
Segue abaixo os vídeos dessa etapa, mais uma que ficará na memória da minha vida.
Divirtam-se!





domingo, 13 de maio de 2012

Ampliando os limites

A distância total entre Baie-Comeau e Labrador City é de 585km.  Nada extraordinário, não fosse pelos últimos 300km. Estrada sinuosa de rípio muito fofo (tinha sido recém patrolada) e em função da neve estar descongelando, alguns outros trechos com lama e atoleiro.
Em resumo tinha piso pra todos os gostos. O amigo Luis Tedesco ia adorar fazer um trecho cronometrado nesse piso, já de moto a brincadeira era um pouquinho mais séria. Pilotar em pé, uma moto carregada, com a traseira saindo pra todo lado a toda hora e por um longo período, chega uma hora que começa a não ter mais graça.
Lembrei também do Cristiano e dos tempos de trilha na Pedra Branca em São José, experiência importantíssima para conseguir superar tantos obstáculos, com uma máquina um "pouquinho" mais pesada do que aquelas ágeis CRs.
O cenário por sua vez era deslumbrante e forneceu a adrenalina necessária para superar o extremo desgaste físico.
A região com inúmeros lagos congelados é linda. A quantidade infinita de pinheiros flocados de neve, ladeados com rios de águas cristalinas, compõe uma paisagem de cartão postal.
Circunferência formada pelo meteoro
 No percurso, passei também  por uma serie de 5 hidrelétricas, sendo a maior delas a Manic 5, que está localizada exatamente no local da queda de um imenso meteoro, que atingiu a terra a milhares de anos, e abriu uma cratera de 8 km de diâmetro de onde hoje se represa a água  para a geração de energia de todo o território.
Assim após um dia inteiro de fortes emoções, já que parti ás 7:30 da manhã, cheguei  em Labrador City, literalmente esgotado, mas com uma enorme e gostosa sensação de ter superado com sucesso a etapa mais difícil de todo o roteiro até aqui!
Seguem abaixo algumas fotos desse trecho, que servem apenas para dar uma idéia, visto que viajando sozinho, a documentação fotográfica ideal fica um pouco comprometida.



Lago congelado








Procura-se o lugar do piloto!




Na entrada de Labrador o retorno do asfalto




sexta-feira, 11 de maio de 2012

Cruzando o Golfo de St. Lawrence

O território de Québec é imenso e grande parte dele está situado do lado norte do St. Lawrence, ou seja, continuamos no mesmo território quando o ferry finalmente aportou em Forestville.
O sentimento, entretanto, foi completamente diferente. Parecia estar num outro continente, isolado, remoto e gelado. Variações de temperatura absurdas, nem tanto pelo frio, mas pela velocidade. Em um momento caia a 2 ou 3 graus celcius e minutos depois estava em confortáveis 10º 12ºC. Da mesma maneira a velocidade com que chovia e instantes depois aparecia o sol.
Assim depois de uma parada para o almoço na estrada, cheguei em Baie-Comeau no inicio da tarde.






Todos nós temos nossos oceanos a atravessar. No fundo, uma viagem como essa te proporciona uma oportunidade única de valorizar a sua própria vida, a vida das pessoas que você teve o prazer de conhecer até esse momento e ampliar os seus limites.
Não podemos perder nunca nossa visão crítica a respeito de tudo que nos rodeia, bem como, não podemos perder nossa sensiblidade para saber que as coisas mais simples neste mundo e que em geral não nos custam nada, são as mais importantes. O amor, a gentileza, o respeito, a generosidade, são algumas delas.
Portanto quando em uma experiência dessa, você deixa para trás a sua rotina e conforto, para desafiar os seus limites, você tem a rara oportunidade de enxergar quem verdadeiramente é!
Um beijo grande a todas as pessoas que conheço e que conhecerei.